segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ikkyû Sôjun (1394-1481)

Essencialmente,
todas as vidas, os eus passados
se foram da natureza -
sem destino,
sem lugar, sem valor.



* * *



Sem início,
plenamente sem fim,
a mente nasce 
para a luta e o esforço,
e morre - e assim é o vazio.



* * *



Como orvalho sumindo,
uma aparição vaga
ou o cintilar repentino
do trovão - já se foram -
assim devemos nos considerar.



* * *



A lua é uma casa
aqual a mente é mestra.
Olhe atentamente:
apenas a impermanência dura.
Este mundo flutuante, também passará.



* * *



Um aviso contra o cochilo

Passando uma alta carruagem,
o motorista assustado desperta.
Render-se ao sono convida disastres.



* * *



Canção do Jardim Onírico

Repouso no seu colo no jardim dos sonhos,
florinhas com seus perfumados gametas,

cantando, sorvendo do seu córrego -
Poente. Luar. Nossa canção persiste.





一休宗純 (Ikkyû Sôjun), foi realocado depois de nove dias como diretor do Daitoku-ji, grande complexo monástico de Kyoto, denunciou a hipocrisia dos monges convidando-os para conversar "em salões de sake e prostíbulos" que secretamente frequentavam. Aos setenta, ele escandalizou a comunidade budista por se apaixonar por uma jovem cantora cega e levá-la a morar consigo em seus aposentos. Ele supervisinou a reconstrução do Daitoku-ji depois de um incêndio devastador e tornou-se parte de um grupo de artistas - incluindo Murata Shoko na cerimônia do chá, Sôgi nos repentes rimados em dupla (連句), Zenchiku no teatro No - estes trouxeram o Zen no profundo das artes japonêsas. A tradição Sôgi de pintura com nanquim foi composta interamente por estudantes de Ikkyû. Ele revolucionou a arte da shakuhachi (flauta vertical de bambu).

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